sexta-feira, 23 de novembro de 2007

Voltando aos tempos áureos.

Pois é, eu não estava com muito saco pra postar coisas relacionadas a minha família mas a falta do que fazer é grande demais pra ignorar minha única alternativa! xD
Bom, vocês sabem meu nome: Jim Yoo Kim. Meio na cara que sou coreano não?! Pois é: Meus pais Gii e Sean se conheceram em Seul, casaram-se e tiveram eu, minha irmã e meu irmão mais velho, que morreu cedo, em um acidente de carro quando eu tinha 11. Como toda família tradicional, tivemos uma educação muito rígida (não sou advogado porque eu gosto fio!!), mas eu e minha irmã nunca fomos muito comportados. Pense comigo que muita rigidez é apenas um belo empurrão pra se rebelar. Não que eu tenha saído como um holligan por ai =P Mas meus interesses começaram a divergir ao que deveria: gosto de rock, toco guitarra, fiz minha primeira tatuagem aos 17, tenho um alargador e um piercing na sobrancelha. Sempre pensei que tudo que fiz foi mais para cutucar meu pai, mas no final das contas eu gosto mesmo xD
Nunca me dei muito bem com meu pai: ele sempre me deu um pouco de pavor. Um cara que mal sorri, advogado bem-sucedido que nunca parava em casa. Sempre me perguntei porque cacete minha mãe se casou com um mala que veio morar no Brasil por nenhuma razão definida (e ele nem sabe falar português direito), mas ai penso que o modo de pensar e viver dos coreanos é muito diferente dos brasileiros. A liberdade é restrita, algo meio intocável ou inimaginável; sabe aquele lance de casamento arranjado que a gente acha que não existe mais? Ah fio existe sim; meus pais são a prova disso, ainda mais quando eles passaram a vida tentando fazer eu e minha irmã seguir os mesmos padrões. Mas nem consigo me imaginar casado com uma coreana que mal sei pronunciar o nome por zelo ao nome da minha família, muito menos ver que eu devo ser igual meu pai, imponente e que trata a esposa como lixo.
Não, nunca eu quero isso. Nem eu nem a Cho, minha irmã.
Ela se casou recentemente com o Samuel, um grande homem brasileiro. E eu estou noivo de uma loira brasileiríssima de olhos azuis. Muita afronta aos meus pais talvez, mas quem disse que a gente escolhe de quem gosta?!
Eu amo meus pais claro, quem seria idiota de negar as origens?! Ou dar as costas à vida que eles dão?! Ninguém, eu muito menos. Respeito meu pai, não tenho um bom relacionamento, mas o respeito. E amo minha mãe como se ela fosse parte de mim, já que ela sempre tentou me dar o máximo de liberdade possível.
Da mesma forma que não escolhemos nossos amores, quem diria os pais.
Um dia vou contar isso ao meu filho Miguel; provável que a tradição coreana da família Kim morra ali.
Sem mais!.

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